Fim da 'taxa das blusinhas' preocupa entidades do Polo de Confecção do Agreste de Pernambuco
Entidades do Polo de Confecção de Agreste se manifestam sobre fim da 'taxa das blusinhas' Após o governo federal anunciar o fim da chamada "taxa das blusinha...
Entidades do Polo de Confecção de Agreste se manifestam sobre fim da 'taxa das blusinhas' Após o governo federal anunciar o fim da chamada "taxa das blusinhas", nome dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até U$ 50 feitas por meio do programa Remessa Conforme, entidades do setor têxtil e de confecção do Agreste de Pernambuco manifestaram preocupação com o anúncio. A medida foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em uma portaria do Ministério da Fazenda, com publicação no “Diário Oficial da União” nesta terça-feira (12). Segundo o governo, a isenção entrou em vigor na mesma data. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp No interior de Pernambuco, o Polo de Confecções do Agreste é um dos maiores motores econômicos do estado, gerando renda e empregabilidade para mais de 24 mil pequenos empreendedores. A produção dos produtos gera em torno de R$ 5 bilhões a cada ano, segundo dados do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções de Pernambuco (NTCPE). De acordo com a economista Tays Marina, as cidades potencialmente afetadas pela fim da "taxa das blusinhas" são Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, por concentrarem a maior parte da atividade econômica do Polo de Confecções. Segundo Tays, Caruaru tende a ser afetada de forma indireta, por concentrar serviços, logística e turismo de compras, com impacto no comércio local. Toritama deve sentir a pressão no mercado de jeans popular. Embora o produto local tenha diferenciais de qualidade, o consumidor mais sensível ao preço pode migrar para itens importados de menor custo. "Santa Cruz do Capibaribe tende a ser a mais exposta, por sua forte especialização em moda popular e atacado. Assim, a concorrência internacional incide diretamente sobre o principal segmento da cidade", destacou a economista. "Os efeitos tendem a acontecer em duas etapas. No curto prazo, o impacto é imediato no consumo. Com o dólar abaixo de R$5, e o imposto federal zerado, o preço nas plataformas internacionais cai rapidamente. Isso tende a atrair o consumidor quase que de forma instantânea e pode reduzir o fluxo de pedidos para as feiras e fabricantes do Agreste já nas próximas semanas", disse Tays Marina. Para Tales Nery, Síndico do Moda Center, centro de compras de Santa Cruz do Capibaribe, a notícia foi recebida com tristeza para a classe. Segundo ele, a medida foi adotada sem ouvir os representantes do setor. “Nossa região aqui (Agreste), né, que vai ser bastante abalada com a isenção total da taxa das blusinhas […] Nós ficamos muito tristes com essa notícia porque é uma decisão que não ouviu o setor. Não ouviu o setor têxtil, não ouviu o setor de confecções, não entendeu a importância desse setor na geração de emprego, na geração de renda em todo o tracionamento da economia”, destacou Tales Nery. A Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (Acic), também reagiu de forma negativa a medida adotada pelo governo federal e destacou que o fim da “taxa das blusinhas” amplia a desigualdade competitiva entre o comércio e as plataformas internacionais de e-commerce. A associação defendeu que qualquer discussão sobre tributação do comércio eletrônico internacional considere os impactos para o setor produtivo nacional e para milhares de empresas que atuam de forma regular no país. "A Acic destaca que o varejo local é responsável pela geração de empregos, movimentação da economia e fortalecimento do empreendedorismo nas cidades brasileiras, necessitando de condições mais equilibradas para competir", manifestou a associação. Até a última atualização desta reportagem, a Associação Comercial e Indústrial de Toritama (Acit) não se manifestou sobre a medida adotada. De acordo com Pedro Moura, presidente da Associação dos Sulanqueiros de Caruaru, no dia 20 de maio alguns representantes das principais entidades do Agreste irão se reunir no auditório do Moda Center de Santa Cruz do Capibaribe para debater o tema. LEIA TAMBÉM Gigante no Agreste de PE: Polo de Confecções garante renda e emprego para mais de 24 mil pequenos empreendedores Inovação e Sustentabilidade: Empreendedores do Agreste de PE se destacam com produções que contribuem para o meio ambiente Fim da 'taxa das blusinhas' ameaça empregos e cria concorrência desleal, dizem entidades da indústria A mudança na prática O que muda com o fim da ‘taxa das blusinhas’ O especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que a medida deve valer para cargas que chegarem ao Brasil já nesta quarta-feira (13). Com a mudança, o cálculo fica da seguinte forma: Como era a cobrança com a taxa das blusinhas 👗 EXEMPLO: uma compra de US$ 50 passava a custar US$ 60 com o imposto de importação de 20%. Depois, com a cobrança de 17% de ICMS sobre esse valor, o total chegava a US$ 72,29 — ou R$ 354 pela cotação do dólar desta terça. Como fica com o fim da taxa das blusinhas 👗EXEMPLO: sem o imposto de importação de 20%, uma compra de US$ 50 terá apenas a cobrança do ICMS de 17% (ou de 20%, em alguns estados). Como o imposto estadual é calculado “por dentro”, o total da compra será de US$ 60,24 — ou cerca de R$ 295. 🔎 O imposto “por dentro” significa que o ICMS já faz parte do preço final da compra. Por isso, nesse caso, os US$ 50 são divididos por 0,83 — e não apenas acrescidos em 17%. É que o imposto também incide sobre ele mesmo. Assim, o total chega a US$ 60,24. Ou seja, na prática, um mesmo produto pode cair de R$ 354 para R$ 295 com o fim da taxa das blusinhas.